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Valores humanos fundamentais: a responsabilidade

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 23.12.12

Ligada à liberdade, vem a responsabilidade. Não há liberdade sem responsabilidade e as duas juntas são dois pilares da autonomia, assim como outros valores fundamentais, verdade, empatia, fraternidade, lealdade, que virão a seguir.

A responsabilidade de cada um por si próprio, pelo seu percurso, pela sua atitude, pela sua acção e interacção no mundo, a começar pelo mais próximo, a família, os amigos, o trabalho, a comunidade, o país.

 

A responsabilidade liga muitíssimo bem com a época natalícia: o presépio que idealizamos tem os pais à volta de um menino, a protegê-lo, tem a rodeá-lo os mais simples, os pastores, e os mais respeitados, os Reis Magos, mesmo que as estalagens lhes tenham fechado as portas. No presépio que idealizamos está a vaca e o burro, porque na tradição rural os animais domésticos co-habitam com os campesinos, para os aquecer (ver os contos de Miguel Torga).

 

Para pegar na responsabilidade, fui buscar um Robert Wise que já aqui referi, Execute Suite, a propósito do actor Fredric March, aqui na pele de um executivo ambicioso. Mas é a personagem de William Holden que destaco aqui hoje: a liderança responsável.

Já aqui trouxe William Holden várias vezes, e numa delas até prometi que seria o meu próximo herói, na série Os meus heróis, na qualidade do homem em quem se confia. Esta personagem, McDonald Walling, podia muito bem representar essa qualidade.

William Holden, na pele de um executivo que defende, não apenas os lucros dos accionistas, mas o prestígio da empresa, a qualidade do serviço prestado aos clientes, a sua confiança, porque é aí que está a preparação do futuro, a sua continuidade. O que propõe nesta reunião decisiva em que se irá nomear o novo director, é precisamente manter a vitalidade da empresa, uma empresa viva.

 

O importante a reter neste filme é que quanto mais elevada é a posição que alguém ocupa, quanto maior o seu poder e influência e o impacto das suas decisões, maior a responsabilidade. 

É isso que desejamos também neste Natal: que os responsáveis pelas vidas de muitos outros reflictam na sua enorme responsabilidade de defender o prestígio das suas organizações e instituições, porque o prestígio e a confiança são os pilares do funcinamento equilibrado e saudável de uma comunidade.

Aqui William Holden lembra que o sucesso e futuro da empresa depende da confiança dos clientes e do trabalho conjunto de todos os que nela trabalham. Só mobilizando todos os elementos se mantém a vitalidade de uma organização e se constrói o futuro. 

 

 

 

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publicado às 09:30

Valores humanos fundamentais: a liberdade

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 15.12.12

Volto a este rio num dia de nevoeiro, real e metafórico. Sei falar de nevoeiros, conheço-os, já me vi metida na sua densidade perturbadora. Quem nasceu neste país e teve de interagir com a cultura do nevoeiro e com os que a abraçaram para daí ter vantagens, poder e visibilidade, mesmo atropelando tudo e todos, sabe até que ponto é difícil defender um valor fundamental, a liberdade de viver e trabalhar sem obstáculos.

Este rio vai dedicar-se a este valor e a outros, como a justiça e o equilíbrio entre direitos e deveres, como uma pessoa simples enfrenta as injustiças, como a verdade acaba por prevalecer, ou como os nevoeiros deste mundo se vão aclarar finalmente à vista de todos.

 

Para navegar esta corrente do rio dos valores humanos fundamentais, e esta é a época certa para falar deles, trago de novo Mr. Smith Goes to Washington.

Aqui vemos um único homem a enfrentar poderosos oponentes. Do seu lado tem apenas um ideal maior do que si próprio, alguns amigos leais, uma secretária experiente que sabe tudo o que há a saber sobre os obstáculos que vai enfrentar.

Aqui também vemos como funciona a linguagem do poder, o tal nevoeiro que persiste.

E finalmente vemos como a verdade e a justiça prevalecem, como tudo se aclara no fim, ainda que à custa de muita dedicação e persistência.

 

 

Mr. Smith Goes to Washington é um Frank Capra, não esquecer. Já navegam neste rio quatro Capras pelo menos, e todos dos anos 30. Frank Capra liga muito bem com o Natal e com os valores humanos fundamentais.

 

 

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publicado às 19:23

O que permanece, haja o que houver

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 31.12.10

 

Sim, o rio continua a navegar, agora mais calmo, mais parece um lago, quase nos podemos ver nesse espelho azulado. A Marilyn continua a cantar na sua viola para o rapazinho, e o Robert Mitchum ainda apanha peixes do rio, que à noite assa na fogueira onde também aquece o café. Por vezes conversam enquanto o rapazinho dorme, mas mais parece que desconversam. São assim tantas vezes os diálogos entre homens e mulheres. Porque será?

Gostava de vos falar de um filme que nos inspirasse a todos para entrar no ano que agora começa. Repetimos este ritual de passagem todos os anos, mas na verdade trata-se de uma continuidade, como este rio. De qualquer modo, insistimos em iniciar um ano novinho em folha, abrimos uma nova agenda, fazemos uma lista de coisas a mudar... E no entanto tudo depende da nossa convicção interior, aquela que nunca muda, a que permanece igual a si própria, a sensação de saber quem somos, haja o que houver.

Que filme nos inspira assim? A convicção interior? Tudo o que permanece? A ver se o descubro entretanto nos meus registos da memória. A tempo de entrar num novo ano que é apenas a continuidade do ano que hoje termina.

 

Aqui vai um filme que vi há cerca de um mês e que pode exemplificar, numa das suas personagens, essa permanência, esse saber quem se é, haja o que houver. Neste caso também, sobre os seus sentimentos.

Written On The Wind, de Douglas Sirk, revela-nos de novo um homem simples, leal, íntegro, e de novo num Rock Hudson que veste bem essa pele. Tal como em All That Heaven Allows, trata-se de uma personagem que se organiza de forma segura em valores da permanência: família, amizade, amor, lealdade. E para quem os sentimentos são simples e claros, o amor e a amizade são sempre acompanhados da lealdade. O amor só é revelado quando as circunstâncias o permitem e não antes, porque respeita quem ama. Não se trata, no entanto, de um amor cego, observa e avalia as qualidades da amada. A ingenuidade não faz parte da personagem, é perspicaz e responsável. E nunca abandona o amigo, só o enfrentando para a defender.

 

O filme também nos mostra como a segurança aparente de um império familiar não é base da permanência. A permanência não é exterior, é interior, está dentro de cada um de nós. Tudo o que se ergue à nossa volta pode derrocar, só a nossa convicção interior permanece, os valores essenciais. A família Hadley cai na auto-destruição e na solidão. Os nossos heróis descobrem a segurança em si próprios e um no outro.

 

A linguagem do filme é fluída, bem ritmada, e sempre elegante, à Douglas Sirk. Não há demasiada informação, apenas a essencial. É um drama recorrente. Cada personagem leva a sua bagagem simbólica: em Kyle, a dependência, a eterna adolescência, a imaturidade, a super-protecção, a perda de objectivos, o tédio de viver; em Marylee, a rejeição de Mitch por quem tem um amor obsessivo, a natureza caprichosa e infantil, a sedução, a sensualidade; em Lucy, a auto-confiança, a autonomia, o profissionalismo, a capacidade de afecto; e em Mitch, as tais qualidades da permanência referidas no início.

 

Que este e outros filmes vos inspirem, queridos Viajantes, a encarar cada Novo Ano com a convicção interior da vossa permanência essencial! Que encontrem essa segurança dentro de cada um de vós!

 

 

 

 

 

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publicado às 22:40

A América poética dos "misfits" e das naves espaciais

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 02.07.10

 

Terminei um post recente a dizer que a linguagem do cinema consegue revelar mais do que a linguagem escrita. Como é que entenderíamos, por exemplo, o que o Pedro aqui nos diz dos inadapatados de uma forma tão poética, se não tivéssemos visto o filme?

Já coloquei a navegar neste rio os misfits da América, da América actual, onde não há espaço para encontrar um papel definido e viver uma história tranquila. O protagonista desse vale é um cowboy fora da época e da sua lógica intrínseca, já não tem território. Aliás, já não há lugar para essa liberdade de escapar à voracidade dos subúrbios, das habitações, dos carros, dos ruídos, do consumo, nem escapar à lógica do dinheiro, da droga e do sexo, numa alienação decadente.

N’ Os Inadaptados de John Huston há ainda uma ténue esperança, mesmo que aliada ao desencanto e à tristeza. Mas ainda não é a violência do vazio existencial desse vale invadido pelas pessoas. N’ Os Inadaptados podem estar a despedir-se, magnífica visão poética do Pedro, mas ainda é de liberdade e de espaço livre que estamos a falar. Os cavalos selvagens, símbolo maior dessa liberdade, são soltos das cordas que os prendem. A cena em que a rapariga começa a gritar, naquele terreno deserto e muito branco, onde Huston gosta de ver as suas personagens, é mesmo arrepiante. É talvez a cena mais forte do filme. N’ Os Inadaptados, como disse, há gritos, olhares tristes, pressente-se a solidão, mas ainda há espaço para esse grito e esse olhar.

Hoje, nesse vale, é o vazio, plana-se, sem consistência física, numa realidade que não se aceita e onde não se cabe. Por isso o protagonista fica fascinado com o cenário da equipa de filmagens: eu até me adaptava a este trabalho… sempre é mais fácil ser personagem do que viver um papel na vida real.

 

É certo que, olhando para trás, Marilyn sempre me pareceu uma personagem de filme. E se fosse mesmo honesta comigo própria, admitiria também sentir por vezes vontade de escapar à vida real e refugiar-me nos cenários poéticos dos filmes dos anos 60. Poderia ser até num filme de ficção científica, n’ O Dia em Que a Terra Parou, mas no original de 1951, não no remake. Contracenar com a Patricia Neal e com o actor inglês, Michael Rennie, que entra tão bem na pele de visitante extra-terrestre… O que eu gosto deste filme, vá-se lá saber porquê!

Aqui se prova que a tecnologia não é suficiente para conseguir uma atmosfera e construir uma obra de arte. A tecnologia - e mesmo a verosimilhança dos acontecimentos, e não me estou a referir à visita extra-terrestre -, não chega para criar um filme com esta frescura do olhar, esta atmosfera, e isso ficou bem visível no remake.

Já repararam aqui no cenário nocturno? As sombras, os espaços, o silêncio, a tranquilidade? E também só possível numa visão de futuro muito optimista, não acham? Onde é que hoje encontramos, numa cidade, esse silêncio e essas noites misteriosas e tranquilas, tão poéticas? E onde é que hoje deixariam o robô em paz, sem tentar invadir os seus segredos e testar os seus poderes? Sem invadir, logo no início, a nave estacionada no jardim público? Impossível…

De onde se conclui facilmente que os nossos são tempos bárbaros em comparação com os anos 50 (que, ainda por cima, é a década do cinema preferida do Pedro). Que só progredimos em tecnologia, mas não em poesia, em humanidade, em respeito pelo espaço de cada um. Pensando bem, não somos hoje muito diferentes de uma qualquer tribo bélica do período medieval. Querem ver? Os militares colocariam um perímetro de segurança muito maior do que aquele que vemos no filme, os jornalistas plantar-se-iam em volta da nave como moscas, com os seus microfones ligados todo o dia e toda a noite, debitando banalidades para as respectivas televisões, e ouvir-se-ia o barulho ensurdecedor de helicópteros como vespões assassinos a rondar o lugar. Além disso, a protagonista seria uma cínica oportunista que não conseguiria perceber a mensagem do extra-terrestre, entregando-o aos militares, e o filho, um miúdo caprichoso e egocêntrico, incapaz de qualquer empatia. Bem, se tentarmos seguir mesmo o que é plausível, esse encontro com o extra-terrestre nunca se poderia efectuar assim sem consequências imprevisíveis e fatais: contágio mútuo de um qualquer vírus fatal, por exemplo.

Neste cenário poético (sim, Robert Wise antecipa, a meu ver, a atmosfera poética dos anos 60), é ainda possível respirar sossegadamente durante uns tempos, ainda que breves. E contracenar com personagens que sentem, estão vivas, acordadas. Ainda conheci essa atmosfera, e é dessa atmosfera poética que mais sinto falta. Restam-me os filmes… já não é mau. E, afinal, mais vale esta fuga, estes intervalos, do que a que nos propõem hoje: consumo de entretenimentos vazios e sem alma, conversas estéreis e de circunstância, ruídos vários de gente ansiosa e hiperactiva, correrias sem objectivo definido, fogos-fátuos em cenários plastificados.

 

 

 

Patricia Neal: parece que este único Patricia Neal aqui a navegar, antecipou em pouco mais de um mês a sua despedida. Mas este será, para mim, o seu papel de sempre. Desde que o vi pela primeira vez que ofuscou o seu Vontade Indómita (papel brilhante e tão sensual) e o seu Breakfast at Tiffany's (elegante e cínica). É que aqui, nesse Dia em que a Terra realmente parou, Patricia é essa mulher calma e segura do Bem e do Mal, do certo e do errado, como se saber distingui-los fosse a coisa mais natural deste mundo, mas não é! São cada vez mais raras as pessoas que se movem neste mundo e se relacionam assim, neste mundo, com os outros seus semelhantes, com esta simplicidade e honestidade. Cada vez mais raras. Talvez por isso esta personagem feminina me tenha fascinado tanto. Tem a lucidez e a sensibilidade suficientemente afinadas para ver realmente que o namorado tinha as prioridades trocadas. Tratou-se de escolher o lado certo, o do homem que se tinha colocado numa posição vulnerável para avisar os terrestres. São estes papéis que agora mais me fascinam: pessoas simples, que agem de forma discreta, correcta e responsável, diríamos normalíssimas, mas que afinal, são mais do que extraordinárias. E, como disse, cada vez mais raras.

(Esta é uma simples homenagem de um rio... a 9 de Agosto)

 

 

 

 

 

 

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publicado às 00:34

Voltar a casa

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 27.05.08

 

Clash By Night. A mulher procura a segurança de um amor confortável, de um ombro onde se apoiar. Somou desilusões e volta a casa, perto das docas, onde ainda vive o irmão.

Conhece dois homens, um, afável e protector, o outro, sensual e inquieto. Escolhe o homem afável e é com ele que decide viver. Surge a criança e a casa torna-se uma verdadeira “casa”.

Até aparecer de novo na sua vida o outro homem, e com ele, o desejo urgente e egoísta. O calor desses dias e dessas noites coincide com os dilemas da mulher.

Passeia ansiosa pela casa. Pelas divisões da casa. Nunca lhe ocorrera que iria perder a criança, que o pai da criança não iria abdicar dela.Hesita no último momento e é mesmo por um triz que consegue voltar atrás. E só porque o seu olhar se modifica. O desejo não é suficiente para dar um sentido à vida.

Nunca vi um rosto iluminar-se assim, como o da mulher quando volta “a casa”. Só por esse rosto da Barbara Stanwick vale a pena ver o filme.

 

 

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publicado às 18:45

O indivíduo e a comunidade

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 22.12.07

Em It’s a Wonderful Life não é só recuperar a vida, é dar-lhe um novo sentido. É entender todo o percurso.

O que parece uma série de cedências, de desistências, de sonhos desfeitos ou adiados, transforma-se no essencial da sua vida. O que parece um terrível falhanço, de oportunidades perdidas, ganha uma dimensão maior, de comunidade. Aquele homem tocara a vida das pessoas mais próximas e, sem o saber, de muitas outras vidas.

Os diálogos em Capra… as personagens… o tempo certo, a magnífica gestão do tempo e das ideias…

E as pequeninas coisas, a dimensão que ganham na vida de uma pessoa. O corrimão a precisar de arranjo, as pétalas da flor da filha. Capra entende a alma humana, os desejos, os sonhos, as angústias, as dúvidas, as frustrações.

E propõe uma verdadeira reviravolta na lógica inexorável da evolução humana. Aqui o essencial permanece: a amizade, o valor da vida, a lealdade, a gratidão.

Mas já repararam bem com que modelo de cidade e de estilo de vida se assemelham as nossas cidades actuais? Capra soube prevê-lo nos anos 40. Está lá tudo ou quase tudo. Não é fascinante?

 

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publicado às 16:30

The Best Years of Our Lives

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 27.11.07

Voltar a casa. Expectativas, ansiedade, receio. Perceber que muita coisa mudou. Perceber que se é preterido no aeroporto por um empresário rico, por exemplo. Perceber que o seu papel já não é valorizado, que já se passou para o fim da lista. O oportunismo natural das sociedades. Isto é universal, mas aqui é a América. Onde tudo parece andar mais depressa.

Voltando atrás. Ao aeroporto onde os nossos soldados esperam por uma vaga num avião que os leve de volta a casa. Têm postos militares e especialidades diferentes. O que não os impede de confraternizar como se já se conhecessem. Há uma cumplicidade imediata naquele trio. A consciência da sua humanidade e do que é essencial: os afectos, e integrar-se de novo na comunidade, num outro papel em que se sintam úteis.

O marinheiro ficou mutilado e usa próteses de forma hábil, fisicamente mantém a autonomia, mas receia que a namorada, ainda muito jovem, se impressione. O cabo, o mais velho, é casado, tem dois filhos, trabalha num banco e vive confortavelmente numa das avenidas modernas. O piloto, recém-casado, é o mais medalhado mas também o mais ferido na alma, mantém o pesadelo nocturno da morte de um companheiro.Foi por esta ordem que foram sendo entregues nas suas casas, nervosos, hesitantes, amedrontados.As guerras utilizam e trituram vidas de jovens. Depois, largam-nos sem qualquer sentido de responsabilidade. Sem qualquer respeito pelo que viveram e passaram. E estamos a falar dos que voltam…Estes voltaram. E dão-nos uma lição de humildade, dignidade e humanidade que é raro, raríssimo ver hoje em dia nas nossas comunidades modernas. Mostram-nos o que de essencial se está a perder. Todos eles encontram o seu lugar depois de sofrer decepções, depois de enfrentar a frieza e o cinismo. E todos eles encontram o afecto. E todos, de forma comovente.

 

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publicado às 15:16

Mr. Smith Goes to Washington

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 21.11.07

Os melhores filmes dos anos 30 e 40 passaram na RTP nos anos 60, 70 e, mais tarde, em vários ciclos na RTP2. O que aconteceu entretanto para nada voltar a ser como dantes?

Frank Capra passa agora apenas no Natal: It's a Wonderful Life

Criticado como um idealista, Capra é muito mais do que um idealista. E ser idealista é ser menor? A meu ver, ter um ideal é fundamental. Apontar para uma qualquer existência com qualidade para todos, é fundamental. Defender a dignidade de cada indivíduo, é fundamental. Lembrar valores como autenticidade, maturidade, responsabilidade, autonomia, amizade, lealdade, é fundamental.

Mr. Smith Goes to Washington revela precisamente o choque de um idealista com a realidade do poder. Capra dá a volta à situação. E se… bastasse um idealista para desmontar negócios pouco claros, jogos de interesses? Se bastasse um idealista para devolver os valores autênticos àquele espaço nobre, o Congresso?

Capra desmonta a realidade social e ao fazê-lo de uma forma suave ou romântica, isso não lhe retira a eficácia. A mensagem passa.

A montagem das cenas, a gestão do tempo, a utilização do guião, são perfeitas. Nem pesada, nem leve demais, nem apressada, nem lenta. E isso é de génio. Onde é que voltámos a ter aqueles diálogos em cinema?

Capra dá ao indivíduo uma dimensão significativa na comunidade. O indivíduo pode resistir a ser diluído ou mesmo triturado pela comunidade, pelo grupo, pelo poder. Ele tem um lugar. Ele existe. Há um equilíbrio entre o indivíduo e a comunidade. Apoiam-se mutuamente. Para Capra isso é possível. E nós também desejamos que assim seja.

 

 

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publicado às 12:08


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